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Qual é o negócio da minha empresa?

Sessão de continuidade na AESE Porto

É possível a uma empresa viver sem estratégia, mas jamais sem negócio. Como preparar a empresa para que tenha sempre um bom negócio, ainda que com projetos transitórios foi a proposta do Agrupamento de Alumni ao convidar o Prof. Luis Manuel Calleja. A sessão realizou-se no Porto, a 14 de dezembro.

Como preparar uma empresa para que tenha sempre um bom negócio?

LMC: “ Para ter um negócio é importante ter uma dedicação explícita a esse assunto. É necessário a Alta Direção concentrar-se nos aspetos mais de futuro, mais extraordinários e éticos; e delegar imediatamente os aspetos mais do dia a dia do negócio, mais correntes e mais técnicos. Não é suficiente dedicar a manhã de sábado, em que não há chamadas telefónicas para se dedicar a temas de fundo. Tem de ser uma atividade habitual.

As mudanças do negócio, às vezes, são súbitas. Mas na maior parte das vezes são pequenas alterações em diferentes ângulos do negócio. É preciso ter uma série de indicadores do mercado, internos, etc...”
    
Quais as questões de fundo que podem estar ocultas pelas atividades de todos os dias?
LMC: “Há um conjunto de riscos. Uns são evitáveis: quando se fazem as coisas mal, ainda que normalmente se façam bem. Outros são os riscos do negócio que passam por questões estratégicas. E ainda os há externos.
Se não se está particularmente atento, estes riscos podem passar despercebidos. Há empresas que até fazerem 25 anos já desapareceram. A maior parte dos riscos nas empresas são facilmente previsiveis de que irão acontecer. São situações extraordinárias no ordinário. Por isso, exige-se uma concentração específica no controlo dos riscos, o que não significa não arriscar.”

Quais as lições que se podem aprender com o caso “Typhoon Computers”?
LMC: “Nenhuma oportunidade de negócio é para sempre. As oportunidades são sempre transitórias”. Em 3 anos de trabalho, esta empresa demonstrou ser bem sucedida. Este caso revela que as questões do dia a dia podem distrair dos problemas de fundo. O negócio “fica por um fio”, que pode não se quebrar, mas que é muito delicado. É preciso dedicar-se a assuntos de fundo e de futuro. Para além do Conselho de  Administração dever delegar, necessita criar uma função executiva pela proximidade que esses profissionais terão do mercado e pelo valor que podem aportar à empresa. O futuro do negócio nem sempre implica a evolução do mesmo. É possível aproveitar o portfólio de clientes e de fornecedores, ou a tecnologia que tenham à disposição.”


O Prof. Luis Manuel Calleja debateu este tema com os Alumni da AESE, havendo espaço para troca de experiências nesta área.